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O Procriativo vai fazer você conhecer um pouco mais sobre quem anda criando pelo nosso mercado. O que os nossos criativos pensam, como trabalham, o que gostam de fazer nas horas vagas e até o signo deles. Confira quem é o criativo da vez.
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Procriativo - O que você destaca como mais proveitoso para sua carreira em sua experiência nas agências paulistas? Paulo - Em São Paulo trabalhei em duas agências, uma na Marginal Pinheiros e outra na Paulista; ou seja, a minha maior lição foi aprender a dirigir em meio a 5 milhões de automóveis - particularmente nos dias de chuva. Mas falando sério: recomendo a todos almejarem trabalhar em uma grande estrutura, em uma grande cidade. Os profissionais de lá parecem ser mais profissionais, pelo fato de serem todos especialistas em suas funções e não tentarem resolver problemas de outras áreas, na esperança de "adiantar", ou pior, "agilizar" o trabalho. Mesmo com o prazo apertado, ninguém se aperta. Porém, o mais legal é ver o seu trampo produzido por fornecedores que daqui vemos de catálogo, veiculado nos maiores veículos do país, reproduzido em milhões de cópias, modificando o comportamento e manipulando milhões de pessoas (é tipo viver um episódio de "Pink e o Cérebro" todo dia!). Falta mencionar uma coisa boa e uma ruim: a delirante variedade de deliverys para os serões e a parca aparição de saias - e vislumbre de pernas, pois não - no vestuário feminino.
Procriativo - Dos seus trabalhos, por quais você se sente mais orgulhoso? Paulo - O cartão de natal da Multi de 1995, que ganhou o Colibri de Ouro daquela categoria no ano seguinte, meu primeiro prêmio. A entrega foi no Teatro Carlos Gomes, e a vida parecia perfeita. Anos depois, voltei para a mesma Multi e meu primeiro job foi exatamente o cartão de natal de 2003. Esse também ficou muito bom. Outra menção é a um anúncio que fiz para os Hipermercados Extra, do Grupo Pão de Açúcar, o maior comprador de mídia do Brasil até o boom das Casas Bahia. Era em homenagem aos 121 anos do Corpo de Bombeiros de São Paulo, all-type, 10 x 14cm, veiculado num jornal de Santos. Foi minha única peça aprovada sem cortes em um ano de trabalho de varejo brutal. Parece pouco, mas tem um valor...
Procriativo - Em termos de criação capixaba, que análise você faz? Paulo - Tenho o maior orgulho do presente momento criativo do Espírito Santo, em que novas agências têm veiculado peças muito boas, e as agências tradicionais têm conquistado importantes prêmios, como o Leão de Ouro em Cannes da Prisma e a presença da Multi no ranking Hot Tops da revista About em 2004. Dá visibilidade, estimula a competição e nos faz querer mostrar mais. Gostoso de ver sempre é o trabalho da MP, desde há muito. E excepcional é a iniciativa do Procriativo e o surgimento da revista Target, sem esquecer da perseverança da Coluna de Propaganda de A Tribuna. Servem para mostrar aos profissionais de criação que tem mais gente de olho em seu trabalho além dos seus pais (que normalmente não entendem nada, nem porque você não fez Medicina ou Administração de Empresas). Claro que existe o tosco característico da publicidade capixaba, uma longa tradição do recall ao contrário, quando os clientes de muito mau gosto e gordas verbas emporcalham o éter com mensagens que todos gostaríamos de esquecer, mas que simplesmente não dá. Historicamente e pela ordem (até onde me permite a memória): Jadir Primo, Óticas do Povo, o China Tem, Alvarito no Supermercado, o caminhão da Brumatti não pára, Glub-glub Guaraná Coroa, Uai e Refrigerantes Capixaba, entre muitos outros. Preocupa-me, portanto, a quantidade e a qualidade dos alunos de Publicidade e Propaganda que se formarão no final deste ano e no ano que vem, incluindo aí as primeiras turmas dos cursos inaugurados quatro anos atrás. Como se dará a renovação? A revolução continua?
Procriativo - Muito se fala sobre a tendência da imagem se sobrepor ao texto na publicidade atual. Você concorda? Paulo - Lembro que a tendência é na verdade um recurso clássico. O anúncio de 1968 da DDB para o fusca entrar nos Estados Unidos, "Think big", com a foto pequenininha do carro, fenomenal. É que hoje a tecnologia e a manipulação de imagens supera a própria imaginação (e em alguns casos a tem perigosamente substituído). Sou redator por origem, mas adoro criar anúncios sem palavras. É muito difícil, é o que encanta os diretores de criação e os jurados das inúmeras premiações. É o orgasmo quando consigo reduzir a mensagem a uma imagem, que diz tanto, até subliminarmente. Existe ali o texto não-verbal, o arquétipo, o signo, a linguagem universal. Mas o que pinta muito, para mim ao menos, é o anúncio sem verba e sem prazo, que tem que ser resolvido no all-type mesmo. Aí é que eu quero ver o criativo, quando falta luz no prédio e tem que entregar o anúncio até as 3 da tarde.
Procriativo - Qual seu filme favorito? Por quê? Paulo - Subway, de Luc Besson, com Christopher Lambert, Isabelle Adjani e Jean Renó. É um filme B, de 1985 mais ou menos. Não sei explicar bem porque gosto tanto (outro dia quase comprei o DVD, mas vinham juntos na mesma caixa outros muito ruins). Tem perseguição intensa nos primeiros cinco minutos, romance impossível entre o bad boy oxigenado e a lindinha francesa, o submundo do metrô de Paris e seus improváveis personagens, música boa que até hoje me lembro e um final triste. É perfeito. Gosto também de Festim Diabólico (1948), do Hitchcock, um filme inteiro num take só.

Comemorando o Campeonato Carioca 2004, no
Maracanã, com a namorada

Na Praça de Touros de Sevilha

Ensaiando ser papai, com a afilhada Nina,
a mãe e a madrinha
Perfil //

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:: 26/10/04 - Mauro Vilela

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