Vitória, 28 de Abril de 2005





















 
:: artigos

Soy argentino y no desisto nunca // 01.02.2005

O que você faria para vencer na vida, para se dar bem na sua carreira? Utilizar artifícios ilícitos e escusos, se a situação e a necessidade assim o exigirem, está entre suas opções? Vamos lá, fala a verdade, estamos só nós três aqui. Eu, naverdade, estive, já escrevi. Sobram você e sua consciência.

Na Argentina, por menos que eu queira aceitar, parece que a falcatrua está integrada ao cotidiano do país. Haja vista o próprio governo e suas recentes pernadas na banca internacional, via moratória, e na população do país, pela conversão compulsória de dólares em pesos, em 2002. Depois da conversão de pesos em dólares, em 1999. Tudo pelo mesmo ministro, Domingo Cavallo. Isso para ficar na história recente.

Pior. Sabemos que o futebol mostra muito do caráter de uma nação. Assim sendo, sintomática é a revelação de que o técnico do selecionado argentino na Copa da Itália 90, Carlos Billardo, mandou colocar tranqüilizante na água distribuída aos jogadores brasileiros, na partida disputada pelas oitavas-de-final. Resultado da tramóia: ganharam de um a zero e os canarinhos voaram de volta para casa mais cedo. Cabe o registro que a final da Copa foi também 1 x 0, mas da Alemanha sobre a Argentina.

Mas antes, na Copa de 78, os hermanos aplicaram um golpe muito mais cabuloso, que deu certo. Com uma polêmica goleada de 6 x 0 sobre o Peru eliminaram o Brasil, que se despediu do torneio invicto, pelo critério do saldo de gols, e chegaram à final com a Holanda, para levantar o caneco em plena ditadura militar.

O crime não compensa. Na Copa seguinte à do caso da água batizada, vimos seu melhor jogador ser flagrado em exames anti-doping. O xixi no vidrinho depois da partida Argentina 2 x Nigéria 1, dia 25 de junho de 1994, revelou que Maradona jogou sob a influência de efedrina natural e mais quatro derivados sintéticos. No mínimo, eu diria. Ou seja, nas outras disputas, talvez o cara já estivesse turbinado.

Mas e quanto à publicidade, meu caro? Pois é isso que eu quero saber. Você acha que também na nossa cancha vale qualquer coisa? Quem aí já viu publicitário dar cusparada na cara, enfiar dedo no olho e dar carrinho por trás?

Pois tem caras que não aceitam jogar certas partidas.

Para Julio Ribeiro, da Talent, numa entrevista a Elio Gaspari em 1995, propaganda oficial é jogo comprado. "Quando o Governo gasta dinheiro com publicidade está matando gente. Faz isso enquanto há cidadãos que pagam seus impostos sem atendimento nos hospitais e gente se acidentando nas estradas mal conservadas". Em 2005, 10 anos depois, outro craque em atividade, Washington Olivetto, responde na Caros Amigos por que não faz propaganda política: "Porque gosto de fazer propaganda de produtos que o consumidor possa devolver se não gostar".

Quer dizer que a política, a coisa pública, é, tipo assim, uma Segundona da propaganda? Se pensarmos bem, é claro que neste campeonato existem outras equipes "do mal", como os fabricantes de produtos que fazem mal à saúde, os que empregam mão-de-obra escrava, aqueles vendidos por gente que você sabe ser desonesta, ou sob forte suspeita, as pílulas de farinhas anunciadas pela Maitê Proença, e por aí vai. Mas eles continuam veiculando. O jogo continua. É o maior espetáculo da terra!

Vale a pena pensar um pouco sobre o que temos que fazer todos os dias. Está lá o técnico, o Diretor de Criação, que manda você se aquecer para entrar em jogo. O titular da vaga dançou e esta é a sua grande chance. O jogo é duro, é sujo. Estamos nos 45 minutos do segundo tempo. Você já disputou alguns campeonatos, sabe das manhas.

Cara, esta é a Liga Profissional. Faça o que deve ser feito.

Paulo Eduardo Rios - redator
www.marmitexto.blogger.com.br


Voltar para Artigos