Vitória, 28 de Abril de 2005





















 
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Publicitários Viciados // 12.01.2005

Tudo começa aos poucos, nos deixamos levar por sermos jovens, alguns são levados por influência dos amigos outros entram por vontade própria mesmo, mas ninguém nega que no começo é muito bom, "não que depois não seja". Quando percebemos já estamos de cabeça, por mais que tenhamos vontade de sair: "diga se de passagem, às vezes esta vontade é diária", não temos forças, por mais que peçamos força aos amigos, quando eles nos tiram desta vida só conseguimos nos afastar apenas durante algum tempo, pois não demora muito e logo temos uma recaída e voltamos ao vício, por mais que esteja atrapalhando o nosso convívio familiar nós tentamos contornar o problema dizendo a todos que um dia vamos sair desta vida, só que no fundo no fundo, sabemos que vamos ser uns eternos viciados.

Se quisesse poderia falar mais um milhão de comparações, na realidade existem muito mais comparações do que muita gente pensa. A vida de um publicitário é como a de um viciado, ou melhor, o publicitário é um viciado pelo que faz, pois só há essa explicação para passar por todos os transtornos e ainda continuar firme e forte nessa profissão.

Não tem quem não tenha pensado em largar tudo e começar uma nova vida, acho que não existe um que não tenha dormido mal algumas noites seguidas por pura preocupação, mas dá para contar nos dedos quem realmente "depois de um tempo de trabalho prestado nesta área" tenha ido fazer algo muito diferente. Tem sempre aqueles que perambulam por veículos e fornecedores, mas estes não contam, porque continuam vivendo uma vida semelhante à anterior. Tem os que viram professores, mas acho que estes realmente nasceram para dar aula. Ser publicitário foi apenas uma maneira de chegar lá "não desprezando o talento de ninguém, porque se chegaram a ser professores é que sabem muito sobre o assunto".

O que acontece quando chegamos ao final de mais um dia daqueles em que acordamos com um telefonema de em um cliente às 7h30 da manhã, apenas para lembrar da reunião do dia posterior, atravessando por uma daquelas manhãs turbulentas, onde apenas um detalhe pode custar toda uma carreira, passando pelo horário de almoço, "só de passagem mesmo", tendo que comer em poucos minutos para voltar a trabalhar e passar aquele e-mail que, se em cinco minutos não se obtiver reposta, cai por terra todo um planejamento de meses. E, ficando com a parte da tarde inteiramente livre, para resolver apenas noventa assuntos inadiáveis e, conseqüentemente varando a noite, preparando um organograma para servir de base para a reunião da manhã seguinte. E, mesmo assim, com vários dias desses em um mês, chegamos à conclusão de que largar esta vida vai ser difícil. Na maioria das vezes não é por falta de oportunidades não, mas sim por tudo isto estar tão incorporadas em nosso dia-a-dia, que será muito difícil largar este vício. E cá para nós, é muito bom passar por isso tudo.

Uma coisa acho bom deixar claro, não querendo levar para o lado pessoal, mas é bom esclarecer, não vejo os meus amigos de profissão como se eles fossem mulher de malandro "que gostam de apanhar". Pelo contrário, vejo que todos têm um alto potencial de regeneração após cada problema e que, a cada empecilho que se é transpassado, as asas continuam batendo até poder pousar em um final de semana tranqüilo.

Julio Cesar Vasconcelos - Atendimento




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