Vitória, 28 de Abril de 2005





















 
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Bem, amigos // 22.11.2004

"Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola".

Meu time levou de 6 a 1 no final de semana passado. A confusão que deu todo mundo já falou, todo mundo já viu. Fazer o quê, já que "uma vez Flamengo, Flamengo até morrer"? Na mesma rodada, dois outros resultados foram o mesmo, a favor de Grêmio e Atlético Paranaense e, na Liga Espanhola, o Real meteu 6 a 1 no Albacete. Decerto deve ser esta a goleada inapelável, a humilhação definitiva, o pior resultado do mundo. O adversário tripudiou, aniquilou, e você teve a chance de fazer unzinho, o chamado "gol de honra". Doce ilusão, a da virada - qual a honra em perder de um, quem dirá de seis?!

Vamos ao resultado do Colibri 2004. Temos aí a MP, bicampeã de goleada. Mas, por causa disso, teremos agências rebaixadas para a segunda divisão?

Pense bem antes de responder, já que a tentação é grande. Em listas de discussão no Orkut, alguns jovens profissionais do mercado se indignam a ter de reconhecer os resultados conquistados pela agência de Vila Velha, e há inclusive os que negam a hegemonia. Como diria Nélson Rodrigues, "em futebol, o pior cego é o que só vê a bola".

O que todos dizem é aquela ladainha de sempre: os critérios não são justos, os jurados são inexpressivos e sem conhecimento de nossa realidade, o prêmio é dos patrões e por aí vai. A agência do Pierre, da Marília e da Mônica (e também da Leiloca, minha amiga querida) tem alguma coisa de diferente, sim.

E não só a animação de qualquer hora, o que já é admirável nestes tempos bicudos. Esta é realmente uma caixinha de surpresas previsíveis; afinal, quais são os motivos que levam este time a todas as finais dos campeonatos que disputa? Devem ser os salários em dia, o trabalho do técnico, as instalações do clube, o time entrosado, ou todas as alternativas anteriores? Há quem possa dizer ser a combinação perfeita entre a experiência e a manha dos veteranos e a gana dos aspirantes no plantel.

O óbvio ululante é que eles jogam para a torcida, tocando a bola de cabeça em pé, entabulando o verdadeiro "futebol arte" do qual muitos já nem lembravam existir o termo, enquanto outras agências vivem a "era Dunga" em pleno século 21, onde o empate é considerado um bom resultado, e tome bola para a arquibancada e carrinho por trás. É até engraçado ouvir vaias quando as duas letrinhas são anunciadas a cada edição da premiação. Claro, para a gente, toda disputa suscita um comportamento de arena, e brasileiro nesta situação se acha numa cancha de futebol. E lá vai de novo a Mônica arrebatar os passarinhos lá no palco.

Em números absolutos, foram 20 Colibris da MP em 2004, contra 7 da segunda melhor colocada, a A4. Contei direito? Mas quem conta direito depois de 6 gols? Tem gente que já começa a deixar o estádio muito antes disso.

Bem, no ano que vem tem mais, pe-pessoal. E como será o Capixabão da Propaganda de 2005?

Devem as demais equipes investir em novos técnicos, renomados talentos, novas promessas, categorias de base, tudo isso com certeza. O que não pode é a galera esmorecer, porque os caras virão com tudo, mais uma vez.

Este é um prêmio de patrões, não é o que você acha ideal, não tem a participação dos profissionais, blá, blá, blá, mas é o único que há. E quem vai ficar de fora? Alguns até se omitem, pagam a mensalidade mas não participam da disputa. Besteira. Mesmo questionando a ilibação de um Caixa D'água, todos os anos lá estão de novo os grandes do Rio em mais um campeonato carioca. E lá estaremos novamente torcendo, como se fosse uma Copa do Mundo. Sempre haverá um São Caetano, um Brasiliense, um Mônaco (!), uma nova equipe com um esquema não-viciado que há de encantar, confundir, entortar, como este ano fez a Set Comunicação. Esta é a beleza do jogo, é para isso que ele existe.

Depois de um tempo fora disputei neste ano o prêmio por duas agências, sendo que pela MP rolou um Colibri de Bronze com a campanha "Identidade", para a CST. Estou satisfeito. Como tenho feito uns jogos de exibição para a equipe em questão, me sinto meio que um Romário, entrando raramente em campo, mas sempre disputando a artilharia. É isso aí, peixe.


Paulo Eduardo Rios - redator
www.marmitexto.blogger.com.br


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